domingo, 28 de junho de 2015
Sozinha. Ondas molham-me os pés, deixam um rasto de espuma branca nos meus dedos...como queria ser como elas. Como essas ondas que apenas vão e vêm sem querer. Sem pensar. Sem morte nem vida. Apenas ir e vir. Esse embalo em que me deixo cair, que me leva apenas para me trazer...apenas para me trair na vida.
terça-feira, 9 de junho de 2015
Gotas de sangue escorrem-me nas mãos. Nos dedos. Caem na terra molhada, misturam-se com o pó que me cobre o corpo, com a memórias que arranco de mim mesma.
Cubro-me de terra. Nesta mistura de vermelho e negro, estendo a mão à procura do nada. Estendo cada um dos meus dedos para prender a chama que me foge.
Cubro-me de terra. Nesta mistura de vermelho e negro, estendo a mão à procura do nada. Estendo cada um dos meus dedos para prender a chama que me foge.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Os dedos deixam um rasto de sangue. Gotas que caem suavemente aos teus pés. Olha-las como se não fossem tuas. O sangue que cai. Pequenas lâminas que me cortam o caminho em frente.
Rodeada por negro. Por cordas que me apertam os pulsos, as mãos, os dedos que se desfazem como areia aos teus pés. Essas mãos que te gritam. Que te dizem que serei sempre outra.
Rodeada por negro. Por cordas que me apertam os pulsos, as mãos, os dedos que se desfazem como areia aos teus pés. Essas mãos que te gritam. Que te dizem que serei sempre outra.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Porque hoje há papéis, e letras e palavras. É tudo o que não
quero ouvir. Hoje páro frente à linha de comboio sem dar um passo atrás. Um
passo para a frente. Talvez outro? Abandonaste-me. Deixaste-me fria, sozinha
atrás daquele banco em que nos apaixonámos, atrás do beijo que me deste. Outro
passo, talvez seja agora. Escondida atrás dos jardins em que andámos de mãos
dadas, entre lençóis em que nos amámos. Quero dar um passo, porque me
estilhacei. Porque as lágrimas são levadas pelo vento e eu não as consigo
juntar. Vejo-me reflectida no metal dos carris, um corpo inerte, uns olhos que
não me vêem. Sozinha. Sozinha sempre. Agarrada às pegadas que deixámos juntos
na terra do jardim, à sombra que não se solta de mim. Outro passo em frente.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
domingo, 7 de dezembro de 2014
Cedo em ti...
Cedo. Na morte de ti. Na
máscara que ponho e tiro sem cessar. Amo-te. Agarro-me ao teu passado, ao nosso
viver, ao mar que te leva assim…sem mim.
Sem mim. Sem ti. Nós afogamo-nos
juntos nesta alma, neste terror. Cedo para ti. Cedo à dor, ao fogo, à sombra
que me atormenta. Estendo a mão e agarro o nada do presente. O nada daquilo que
sei ser meu. E não páro, nunca. E as palavras não param e caem como chuva em
ti. Em mim. As palavras que me traem, que me fazem chorar, que me levam esta
dor apenas para vir mais…
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