domingo, 24 de outubro de 2010

Espero sentada enquanto o comboio não vem...Laivos de esperança desvanecem-se com o fumo que me sai da boca...Palavras? Não, não quero largá-las. Hoje as manhãs anoiteceram. O escuro deflagrou-me, tornou-se meu. Negro por dentro, o cinzento desta noite sem estrelas...E a espera continua. E o comboio não vem. Tento não pensar, não deixar que a mão pare perdida por entre as linhas deste papel. Não posso pensar. Não nesta espera...O frio cobre-me o corpo, o gelo interminável de esperança que me tenta envolver...Hoje não. Apaguem as luzes, os dias iguais que me fazem caminhar sem rumo. Lembro-me de não te recordar. De não pensar em ti. Perdi tudo num olhar apagado, no amor que sinto pelo que não tenho. Vejo a tua cara entre todos os que passam...Olham para mim, criança que não sabe o que é parar, não sabe que o silêncio talvez seja a melhor palavra. E nada chega. E a espera continua. A dor preenche-me a cabeça com vazio, não quero pensar, não agora.

16 comentários:

Doce Melodia disse...

As vezes o não pensar é uma necessidade que grita e quer enlouquecer... O que vc escreve é sempre lindo...

=)

Beijo,
Álly

André Santos disse...

Tais "mãos" nunca são realmente permanentes, apesar de, em tom irónico, se fazer passar pelo que não são.
Obrigado, Joana. (:

André Santos disse...

Eu sou de opinião diferente, nada é permanente, tudo transita constantemente. Mas anyway, "cada um com a sua manha", respeito a tua opinião :)

Pedro Miguel disse...

Não sei o que dizer. Estou sem palavras. Está bonito. :$

André Santos disse...

Ora, lá que és querida, és :)

André Santos disse...

Óh, claro que és :)

Canto da Boca disse...

Muito metafórico o "comboio" aqui nesse seu texto, menina Joana! Quantos comboios deixamos de pegar, durante a nossa caminhada na vida, não é, as oportunidades que deixamos ir?
Mas deixo um beijo grande, cheio de carinho e desejos de dias lindos!

E olha menina, de facto, o tom desse meu último poema é meio místico, meio profético, sim. Estava a viver muitas emoções ao mesmo tempo, e a escrita ajuda-nos a minimizar certas sensações.

;)

P.S.
Concordo com o André Santos, és uma querida, sim. Têm pessoas que gostamos de graça, sem nenhum motivo aparente.

O Árabe disse...

Triste, sim, amiga... mas belo. E podes acreditar que o comboio passará, sim; ele sempre passa! Boa semana, fica bem.

São disse...

Não perca a esperança, nunca.
Boa semana.

Phoenix disse...

ally: obrigada pelas palavras :)*

andré santos: um dia vais ver que até tenho razão..(digo isto nao para te contrariar, mas mesmo pq espero q encontres alguém que te faça ver isso =))**

pedro miguel: obrigada, mt obrigada =)*

canto da boca: (na realidade estive mesmo 30 minutos à espera desse comboio..o que começou por ser uma frase de desespero passou a metáfora sem me aperceber sequer) obrigada pelo que disseste..:) há "amizades" inesperadas que nunca pensei vir a ter num blog :)**

árabe: continuo à espera desse comboio..:)**

são: às vezes isso é mesmo o mais difícil..**

Paula disse...

Esperar cansa. Levantar dói. Viver custa e se não custasse não teria tanta piada.

Simplesmente espectacular +.+

São disse...

Eu sei que é difícil, mas não impossível!

Um bom fim de semana prolongado.

Pena disse...

Linda Amiga:
Um sublime texto do seu harmonioso e sensível sentir.
Registei:
"...Perdi tudo num olhar apagado, no amor que sinto pelo que não tenho. Vejo a tua cara entre todos os que passam...Olham para mim, criança que não sabe o que é parar, não sabe que o silêncio talvez seja a melhor palavra. E nada chega. E a espera continua. A dor preenche-me a cabeça com vazio, não quero pensar, não agora..."

De uma beleza triste sem fim. Preciosa. Intensa. Que sabe o que quer e espera da existência.
Excelente!
Abraço amigo ao seu encanto.
Com respeito, estima e consideração.
Adorei, bem como, a sua linda vista.
Com admiração constante.

pena

MUITO OBRIGADO pela visita maravilhosa.
Bem-Haja, notável amiga de bem.

GarçaReal disse...

Há alturas na vida em que o dia é noite e a claridade está tão pálida que mal se vislumbra.

Gostei do teu texto, pois sinto muito o que escreveste...

Que o domingo brilhe em ti mesmo com esta neblina que acarreta tanta nostalgia ao ser.

Bjgrande do Lago

Sempre agradecida com tua agradável presença

Batom e poesias disse...

Oi querida Joana,

Quem não sabe desses laivos de espera e escuridão?
As vezes só resta a dor para preencher.
Só ela.

Beijos
Rossana

Phoenix disse...

Paula: e nao teria tanta dor também*

São: por isso é que ainda espero =)

Pena: obrigada pelas doces palavras

Garça real: espero que nao o sintas por muito tempo..e acredito que nao o hás-de sentir. beijo

Batom e poesias: é verdade..quem é que nao sabe? (in)felizmente**