Porque hoje há papéis, e letras e palavras. É tudo o que não
quero ouvir. Hoje páro frente à linha de comboio sem dar um passo atrás. Um
passo para a frente. Talvez outro? Abandonaste-me. Deixaste-me fria, sozinha
atrás daquele banco em que nos apaixonámos, atrás do beijo que me deste. Outro
passo, talvez seja agora. Escondida atrás dos jardins em que andámos de mãos
dadas, entre lençóis em que nos amámos. Quero dar um passo, porque me
estilhacei. Porque as lágrimas são levadas pelo vento e eu não as consigo
juntar. Vejo-me reflectida no metal dos carris, um corpo inerte, uns olhos que
não me vêem. Sozinha. Sozinha sempre. Agarrada às pegadas que deixámos juntos
na terra do jardim, à sombra que não se solta de mim. Outro passo em frente.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
segunda-feira, 6 de abril de 2015
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
domingo, 7 de dezembro de 2014
Cedo em ti...
Cedo. Na morte de ti. Na
máscara que ponho e tiro sem cessar. Amo-te. Agarro-me ao teu passado, ao nosso
viver, ao mar que te leva assim…sem mim.
Sem mim. Sem ti. Nós afogamo-nos
juntos nesta alma, neste terror. Cedo para ti. Cedo à dor, ao fogo, à sombra
que me atormenta. Estendo a mão e agarro o nada do presente. O nada daquilo que
sei ser meu. E não páro, nunca. E as palavras não param e caem como chuva em
ti. Em mim. As palavras que me traem, que me fazem chorar, que me levam esta
dor apenas para vir mais…
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Dias de chuva. Caem rios do céu, colunas imensas de água regam o chão. E eu não gosto destes dias. De não ver o sol, nem o céu azul. De olhar para o meu cão e ver-lhe o focinho molhado e triste. Os olhinhos a pedir que eu mude o tempo. Que eu tire a água de cima dele. Nem dá para passear contigo...Nem podemos passear na rua sem ficarmos os dois encharcados, sem tu sorrires da minha cara, sem dizeres que querias que chovesse sempre só para me veres assim. Eu e o Phoenix não gostamos. Chuva...dias de chuva.
sexta-feira, 30 de março de 2012
As saudades relembram-me de ti. O quanto de abracei ontem ao despedir-me...o quanto te quis dizer que te amo, que sou tua, que és tudo para mim. Que...que nem tenho palavras. A poesia não é nada, quando não sei o que te dizer. O quanto te abraçar e repetir a palavra de sempre...as palavras de sempre. Acreditar em ti, molhar-me na chuva intensa que vejo lá fora, deixar-me bonita, porque gostas de me ver assim. Deixar as gotas escorrerem-me pela cara e não secar o cabelo, só porque gostas de o ver assim.
Também te quero ver feliz.
Amo-te.
Também te quero ver feliz.
Amo-te.
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